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Educação - Movimento Estudantil

Em baixo você encontra um guia completo dos melhores museus do país e do mundo, e um link direto para os sites oficiais. Agora ficou mais fácil achar as melhores abras do mundo, e ficar antenado no mundo da cultura.

Movimento Estudantil

O movimento estudantil foi para muitos um momento muito importante. Um marco que ficou para a história dos movimentos sociais. Saiba o porque desse movimento, seus acontecimentos e quais as mudanças que ele provocou na sociedade.

Movimento Estudantil

Eles lutaram contra a ditadura militar. Participaram da campanha “O Petróleo É Nosso” e das manifestações pelas “Diretas Já”. Foram às ruas com suas caras pintadas, pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor. A história do Brasil não seria a mesma se não fosse a atuação dos estudantes.

Agora é a vez de reunir informações sobre esses e outros momentos e destacar a importância da participação estudantil no país. Essa é a missão do projeto Memória do Movimento Estudantil, que vai organizar, preservar e divulgar essa história, além de resgatar uma parte importante da trajetória política do Brasil.

O projeto vai coletar e dispor dados sobre a atuação do movimento estudantil, registrar depoimentos de suas principais personagens e realizar uma campanha nacional de incentivo à doação de documentos sobre o tema. Também vai criar condições para a organização do Centro de Memória do Movimento Estudantil, na futura sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro.

Preservar a Memória do Movimento Estudantil significa o resgate de alguns dos momentos mais marcantes da história recente de nosso país. Esta cronologia oferece uma visão destes fatos dentro do período republicano.
O início do movimento

Histórico do Movimento

Iniciado no século XX, o Movimento Estudantil brasileiro começou de maneira instável e se caracterizava por federações que duravam pouco tempo e tinham pouca voz ativa. A inconstância das mobilizações começou a mudar durante a década de 20, quando foi realizado o I Congresso Nacional dos Estudantes e foi criada a Casa do Estudante do Brasil – que objetivava o intercâmbio de conhecimento e atividades culturais.

A partir de 1930, no entanto, o movimento adotou uma vertente mais política e mais ativa, tomando parte na Revolução Constitucionalista de São Paulo com a criação de organizações, como a Federação Vermelha dos Estudantes, a Juventude Comunista e a Juventude Integralista. Em 1937, devido ao crescimento das associações, nasceu a União Nacional dos Estudantes – a UNE. Funcionando, inicialmente, no prédio da Casa do Estudante do Brasil, sob a direção de Ana Amélia Queirós Carneiro de Mendonça, a organização passou a ser o principal órgão de representação estudantil.


A Consolidação do Movimento

A consolidação do movimento aconteceu na década de 30, quando os estudantes passaram a defender ativamente seus direitos e a participar efetivamente do cenário político. Assim, durante a Segunda Guerra Mundial foi iniciada uma campanha contra o nazifascismo e pela redemocratização brasileira. A intensificação dessa iniciativa culminou em passeatas contra os países do Eixo, exigindo o rompimento das relações diplomáticas do Brasil com os mesmos. Nessa mesma época, em 1942, o então presidente Getúlio Vargas institucionalizou a UNE como entidade representativa dos universitários brasileiros através do decreto-lei n° 4080.

As Lideranças Estudantis

Em 1945, o movimento estudantil, até então unificado, foi dividido graças à criação do partido de oposição a Vargas, a União Democrática Nacional (UDN). A partir de então, a entidade passou a ter lideranças de direita e de esquerda que se revezavam no poder. De 1947 a 1950, a UNE viveu sua fase de hegemonia socialista, marcada por campanhas nacionalistas pela Siderúrgica Nacional e pelo monopólio estatal do petróleo, com a famosa campanha O Petróleo é Nosso, em 1947. No ano seguinte, ocorreu a primeira invasão do prédio da UNE por ordem do presidente Eurico Gaspar Dutra – que tentaria reprimir os protestos contra o aumento do preço das passagens dos bondes.

Em 1950, o XIII Congresso da UNE elegeu um grupo ligado à UDN e deu início à fase direitista da organização. Ao longo de seis anos, os opositores de Getúlio Vargas lançaram campanhas pela criação da Petrobrás e contra fraudes nos exames. Em 1956, os estudantes iniciaram um novo protesto contra o aumento da passagem de bondes do Rio de Janeiro e, dessa vez, passaram a contar com o apoio de vários sindicatos operários. Nesse ano surgiu, então, a União Operário-Estudantil e o movimento voltou para a sua vertente esquerdista.


A UNE e a Greve Geral Nacional

Em 1960, a UNE realizou o Seminário Nacional de Reforma Universitária para debater a reforma universitária no país. Esse evento deu origem à Declaração da Bahia, um dos textos mais importantes do movimento estudantil. Simultaneamente, a UNE/Ubes decidiu aumentar suas atividades no campo da cultura e criou o Centro Popular de Cultura (CVC) e a UNE Volante, que tinham como objetivo gerar a conscientização popular.

Em 1962 começaram a surgir os primeiros efeitos da ação estudantil pela reforma universitária: foi decretada uma greve geral que paralisou parte das universidades brasileiras e os estudantes ocuparam o prédio do MEC, no Rio de Janeiro, por três dias. Nesse momento, a UNE voltava ao campo da política, tomando parte da Campanha da Legalidade, liderada por Leonel Brizola, pela posse de João Goulart.

A UNE e a Ditadura Militar

Durante a ditadura militar o principal objetivo do Movimento Estudantil era lutar contra o autoritarismo e pelo retorno às liberdades democráticas. Logo no início do regime o prédio da UNE foi incendiado por participantes do movimento político militar e a organização foi colocada na ilegalidade – juntamente com as Uniões Estaduais Estudantis, as UEE’s –, passando a atuar na clandestinidade a partir de 1966. Nesse momento, todas as instâncias da representação estudantil foram submetidas ao MEC e ficaram, conseqüentemente, sob o controle do Estado. Foi em 1966 que o então presidente Castelo Branco criou o Movimento Universitário para o Desenvolvimento Econômico e Social (Mudes).

As passeatas organizadas contra o regime militar passaram a ser reprimidas violentamente, o que acabou por difundir a revolta dos estudantes pelos outros estados do país. Contando com grande apoio estudantil de repúdio à ditadura, a UNE decretou uma segunda greve geral e elegeu o dia 22 de setembro como o Dia Nacional da Luta contra a Ditadura. A terceira greve geral estudantil promovida pela UNE, em 1968, teve como estopim a morte do estudante Edson Luís Lima Souto, durante uma manifestação contra o fechamento do restaurante Calabouço.


Esse episódio desencadeou um dos momentos mais importantes do movimento: o cortejo do estudante, que contou com mais de 50 mil pessoas. Ainda em 68, a UNE promoveu a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro. Com o apoio de artistas e religiosos, os estudantes realizaram uma passeata pacífica em defesa do ensino gratuito, contra a tentativa de transformação das universidades em fundações e em protesto contra a prisão de líderes estudantis. Com o decreto do Ato Institucional n°5, em dezembro de 68, os grêmios estudantis foram substituídos pelos centros cívicos e, nesse momento, quase todos os líderes estudantis já estavam presos ou exilados. Por esse motivo, o movimento passou a atuar de maneira mais discreta e por meio de atos isolados, como uma missa pelos dois anos de morte do estudante Edson Luís.

1974 – A Abertura Política e a UNE

Quando o presidente Ernesto Geisel assumiu o poder, em 1974, iniciou-se o processo de abertura política. Foi nesse momento que a UNE decidiu retomar uma postura mais ativa para a reconstrução da organização, que estava “adormecida” desde meados de 69. Depois de diversos encontros estudantis e passeatas contra a ditadura, o XXXI Congresso da UNE, em Salvador, marcou a volta oficial da entidade.

Depois de ter seu prédio demolido, em 1980, por ordem do então presidente João Batista Figueiredo, a UNE perdeu sua sede e passou a funcionar sem local fixo. A situação continuou até 1984, quando o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, deu à organização o casarão da Rua do Catete, que funciona como matriz do movimento até os dias de hoje. Nesse mesmo ano, a UNE participou de maneira ativa da campanha das Diretas Já e apoiou a candidatura de Tancredo Neves à presidência, confirmando a abertura política.

O Movimento Estudantil no PóS-Ditadura

Com a volta das liberdades democráticas no país, em 1985, o movimento estudantil começou a reocupar seu espaço e seu significado na política nacional. Ao longo dos anos 80 e 90 foram tomadas atitudes em prol da alfabetização, da ética na política, contra as privatizações, entre outras. O destaque do período, porém, ficou por conta da campanha pelo impeachment do presidente Fernando Collor, caracterizada pelos estudantes “caras-pintadas”.

Em 1992, milhares de estudantes foram às ruas em passeatas organizadas pela UNE e pela Ubes para lutar pelo impeachment de Collor, devolvendo o prestígio político às organizações. Neste mesmo ano, a instituição já parecia restabelecida quando iniciou a emissão de carteiras nacionais, que dão descontos para estudantes em eventos culturais. Três anos depois, no entanto, um conflito interno fez com que um grupo de estudantes se desvinculasse da UNE e da Ubes e criasse o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) com o objetivo de propagandear a revolução e organizar a luta das massas.

Continuando suas ações no campo da política, apesar de sua agitação interna, em 1997, a UNE lança uma ação contrária à emenda de reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos, proposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesse mesmo ano, a organização realiza uma campanha nacionalista contra a privatização da Cia. Vale do Rio Doce e as medidas neoliberais do governo FHC. Em 1999, o 46° Congresso da UNE contou com a presença do presidente de Cuba, Fidel Castro, evidenciando mais uma vez a tendência esquerdista e nacionalista da organização, bem como a visita do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, em 2004.

Atualmente, a UNE e a Ubes lideram o movimento estudantil no país, que ainda conta com a atuação dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE’s), dos Centros Acadêmicos (CA’s) e de outras entidades menores. No ano de 2005, a UNE levou o debate da Reforma Universitária a 25 capitais brasileiras, através do projeto “Caravana UNE pelo Brasil”. Ainda em 2005, o congresso da organização reuniu mais de 15 mil estudantes e foi marcado pela reeleição de Gustavo Petta, a primeira da história da UNE.

Nem só de Diretórios Centrais Estudantis vive o Movimento! Entender a organização desse movimento social é muito importante para que se compreenda sua história e sua atuação. Por isso, o Diálogos Universitários foi buscar as melhores explicações para você, aluno, que sempre quis saber como funcionam e se organizam as entidades do movimento.

Entidades

União Nacional dos Estudantes
Organização máxima de representação estudantil. Hoje, com 69 anos, realiza um congresso a cada 2 anos – onde são decididos as diretrizes da entidade e sua diretoria.

União Estadual dos Estudantes
Órgão de representação estadual dos estudantes, ligados à UNE.

Conselho de Entidade de Base
Depois da Assembléia Geral, o CEB é o maior fórum de discussão dos estudantes. Além de incentivar ações conjuntas entre os DCEs e os CAs, permite que todos os centros acadêmicos participem com votos por entidade.

Assembléia Geral
É o espaço para a tomada de decisões em relação ao movimento estudantil. Na Assembléia todos os estudantes têm voz ativa e direito de voto.

Diretório Central dos Estudantes
Os DCEs são as entidades máximas de representação dos alunos dentro da Universidade, independente do curso. Sua principal função é defender os interesses dos estudantes, além de organizar acontecimentos políticos, culturais e sociais dentro do Campus.

Centros Acadêmicos
São organizações que representam os estudantes de determinado curso, dentro das Universidades. Os CAs são responsáveis por fazer a ponte entre o corpo dicente, a coordenação dos cursos e a Universidade. Além disso, são os Centros Acadêmicos que promovem os eventos de cada curso, sejam eles sociais, políticos, culturais ou acadêmicos.

Fonte:
(Projeto Memória do Movimento Estudantil, (www.memoriaestudantil.org.br)
(Diálogos Universitários, (http://www.dialogosuniversitarios.com.br)
(DCE Honestino Guimarães, www.dce.unb.br)

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